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- Da esquerda para a direita: Dr. Obaid Saif Hamad Al-Zaabi; Dr. Nasser Al-Kahtani; Zineb Sqalli (moderadora); Ahmadu Hott; Jacques Kanga; e Ouns Lemseffer
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O tempo está a esgotar-se para colmatar o enorme fosso de infraestruturas e financiamento climático no continente, alerta o painel do Fórum Africano de Investimento de 2025
O painel de alto nível, intitulado ‘Instrumentos financeiros inovadores que impulsionam a transformação sustentável de África’, serviu como um claro apelo à ação para a adoção de novas abordagens que vão além dos modelos de financiamento convencionais
As alterações climáticas já não são uma questão ambiental – são um risco financeiro nos nossos balanços
Altos responsáveis políticos, investidores e líderes financeiros do desenvolvimento reuniram-se na quinta-feira nos Market Days do Fórum Africano de Investimento de 2025 para abordar um dos desafios mais prementes do continente: desbloquear o capital necessário para satisfazer as crescentes necessidades em matéria de infraestruturas e clima.
O painel de alto nível, intitulado ‘Instrumentos financeiros inovadores que impulsionam a transformação sustentável de África’, serviu como um claro apelo à ação para a adoção de novas abordagens que vão além dos modelos de financiamento convencionais e rumo a uma nova era de investimento.
Moderada pela sócia e diretora-geral do Boston Consulting Group, Zineb Sqalli, a sessão começou com uma avaliação severa: até 2050, África terá mais mil milhões de pessoas, mais da metade delas nas cidades, mas investe apenas 75 mil milhões dos 150 mil milhões necessários anualmente para infraestruturas.
A lacuna no financiamento climático é ainda maior, com o continente a receber apenas 30 mil milhões de dólares dos 300 mil milhões necessários anualmente. “Esta lacuna é enorme, mas também é uma grande oportunidade”, disse Sqalli, destacando o crescimento do financiamento misto, dos títulos verdes islâmicos, dos veículos da diáspora e das novas plataformas de infraestruturas.
Com um tom determinado, o Dr. Obaid Saif Hamad Al-Zaabi, presidente da Autoridade Árabe para o Investimento e Desenvolvimento Agrícola, apelou a uma mudança fundamental na forma como os sistemas alimentares são financiados.
Com as pressões climáticas e a insegurança alimentar a aumentarem em África e no mundo árabe, apelou a que a cadeia de valor da segurança alimentar fosse tratada como uma classe de ativos estratégicos. “As alterações climáticas já não são uma questão ambiental – são um risco financeiro nos nossos balanços”, alertou.
Al-Zaabi defendeu garantias alargadas, instrumentos financeiros sustentáveis e veículos especializados para pequenos agricultores, a quem chamou de “motor” do sistema alimentar africano. Acrescentou ainda que a digitalização é vital para reduzir a assimetria de informação e construir a confiança dos investidores.
Sobre a preparação para investimentos mais amplos, Amadou Hott, presidente do Conselho Consultivo Africano da Vision Invest e ex-ministro da Economia do Senegal, disse que o gargalo mais grave do continente continua a ser a escassez de projetos financiáveis.
“Se queremos transformar o continente, precisamos de multiplicar o que estamos a fazer hoje por 100 ou até 150”, afirmou, salientando a necessidade de uma capacidade de preparação de projetos muito mais forte e apontando o risco cambial como um grande impedimento.
Hott exortou os governos africanos a mobilizar mais capital interno – proveniente de fundos soberanos, ativos de pensões e reservas –, grande parte do qual está atualmente investido no estrangeiro.
O Dr. Nasser Al-Kahtani, diretor executivo do Programa Árabe do Golfo para o Desenvolvimento, salientou que África não pode cumprir as suas metas de desenvolvimento sem aprofundar o financiamento inclusivo.
“70% dos alimentos que consumimos provêm de pequenos agricultores. Eles salvam o mundo, mas não conseguem alimentar-se a si próprios”, afirmou Al-Kahtani, apelando a estruturas de financiamento misto que transfiram os países “das subvenções para o investimento”, ao mesmo tempo que criam equidade para os microempresários.
A perspetiva do setor privado sobre o financiamento do défice de infraestruturas em África foi apresentada por Jacques Kanga, diretor e responsável financeiro do Algest Investment Bank. Kanga destacou como instrumentos financeiros direcionados podem ser a chave para mobilizar capital privado e colmatar o défice de financiamento anual estimado do continente, que varia entre 130 e 170 mil milhões de dólares.
Identificou veículos de propósito específico para infraestruturas que reduzem o risco soberano e político, estruturas de financiamento misto que diminuem os custos dos projetos e financiamento apoiado pela diáspora que aproveita os 95 mil milhões de dólares que os africanos no estrangeiro enviam para casa todos os anos. Segundo Kanga, estas ferramentas reforçam a transparência, a governação e a confiança dos investidores globais.
Ouns Lemseffer, sócia da Ashurst, destacou os progressos em todo o continente, com vários países a adotarem leis avançadas de titularização e financiamento sustentável que permitem emissão de obrigações ligadas a projetos, Sukuk, fundos de dívida e financiamento inovador para iniciativas de eletrificação, como o Programme Électricité Pour Tous da Costa do Marfim.
Mas Lemseffer alertou que o progresso continua desigual. “Um quadro jurídico sofisticado numa área não é suficiente; os decisores políticos precisam de uma abordagem holística – desde regras para investidores até proteção contra falências – para abrir totalmente os mercados de capitais ao investimento em infraestruturas de longo prazo”, defendeu.
No encerramento da sessão, a mensagem do painel de alto nível foi definitiva. O financiamento inovador é indispensável para o futuro de África. Os membros do painel convergiram para uma visão unificada em que novos instrumentos financeiros são fundamentais para mobilizar a escala de capital necessária para atender às imensas ambições demográficas, climáticas e económicas do continente, convertendo efetivamente oportunidades em projetos transformadores e passíveis de investimento em toda a África.
Distribuído pelo Grupo APO para African Development Bank Group (AfDB).
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